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Perfil da Ecolista 1996
O Quanto Estão as Organizações Institucionalizadas?
No total das 725 instituições não-governamentais pesquisadas, 109, representando 15%, declararam não estar legalizadas, isto é, sem o registro do estatuto. Quanto ao modo de funcionamento, 81% das não-governamentais declararam ter sua diretoria eleita por assembléia de sócios. É expressivo o número de instituições desse tipo que funcionam em endereços residenciais: 34% das organizações não-governamentais indicaram ter suas sedes ou escritórios centrais em residências. Este quadro, associado ao pequeno número de instituições que alegaram ter funcionários remunerados (apenas 37,6%), desenha um cenário onde grande parte do setor não-governamental carece de institucionalização, entendido aqui como disponibilidade de pessoal técnico-científico remunerado, registro legal, acesso a redes eletrônicas de comunicação e equipamentos de informática, entre outros elementos. Os dados do tópico seguinte, sobre os recursos financeiros destas instituições, ajudam a compreender melhor esse déficit de institucionalização de boa parte do setor ambiental não-governamental.
Tabela 3: Registro legal das Instituições não-governamentais
  Nº de instituições
Fundação e registro 601
Fundação sem registro 109
Sem informação 15
Total 725
Taxa de registro legal 15%
De Onde Vêm e Com que Montantes de Recursos as Instituições Operam?
Do total de 985 instituições, 513, ou seja, 52,1%, não autorizaram a divulgação de suas receitas na Ecolista. Contudo permitiram a utilização dessas informações para fins de análise estatística. Os dados disponíveis mostram que a grande maioria das organizações, sobretudo da área não-governamental, sobrevive com um orçamento anual inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), vivendo da contribuição de sócios e realizando atividades que implicam poucos custos. Somente uma pequena parcela das organizações opera com recursos superiores a R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais). Quanto maior e mais institucionalizada a organização, mais diversificadas são suas fontes de financiamento. Enquanto o padrão mostra que as pequenas organizações vivem quase exclusivamente da contribuição de um quadro limitado de sócios, as grandes recebem verbas governamentais nacionais e verbas internacionais, comumente oriundas de organizações não-governamentais dos países que constituem o chamado "circuito da cooperação" (Estados Unidos, Canadá, União Européia). A tabela 4 indica o montante estimado de recursos operados pelas 985 instituições da Ecolista. A tabela 5 mostra a composição das receitas das instituições governamentais. Finalmente, a tabela 6 mostra o mesmo dado para as organizações não-governamentais.
Tabela 4: Faixas anuais de receitas
  Tipo da Instituição
Gov. Não-Gov. % Total Total
Não responderam 48,1% 28,8% 33,9% 334
Até R$ 10.000 3,1% 20,3% 15,7% 155
De R$ 11.000 a R$ 50.000 3,8% 20,3% 15,9% 157
De R$ 51.000 a R$ 100.000 2,7% 11,4% 9,1% 90
De R$ 101.000 a R$ 500.000 10,8% 15,3% 14,1% 139
Mais de R$ 501.000 31,5% 3,9% 11,2% 110
Total 260 725   985
Tabela 5: Composição das receitas das instituições governamentais (N=260)
Fontes de recursos 0 -| 10% 10 -| 25% 25 -| 50% 50 -| 75% 75 -| 100% Recebem % Total
Financ. gov. nacionais 5 (3,7%) 5 (3,77%) 15 (11,0%) 11 (8,1%) 100 (73,5%) 136 (52,3%)
Venda de serviços/produtos 25 (47,2%) 13 (24,5%) 3 (5,7%) 6 (11,3%) 6 (11,3%) 53 (20,45%)
Financ. internacionais 18 (39,1%) 12 (26,1%) 8 (17,4%) 6 (13,0%) 2 (4,3%) 46 (17,7%)
Financ. de empresas 14 (70,0%) 2 (10,0%) 2 (10,0%) 1 (5,0%) 1 (5,0%) 20 (7,7%)
Financ. por ONGs nacionais 4 (36,4%) 3 (27,3%) --------- 1 (9,1%) 3 (27,3%) 11 (4,2%)
Outras fontes 4 (44,4%) 3 (33,3%) --------- --------- 2 (22,2%) 9 (3,5%)
Doações individuais 2 (50,0%) --------- --------- 2 (50,0%) --------- 4 (1,5%)
Contribuição de sócios --------- --------- 1 (50,0%) --------- 1 (50,0%) 2 (0,8%)
Tabela 6: Composição das receitas das instituições não-governamentais (N=725)
Fontes de recursos 0 -| 10% 10 -| 25% 25 -| 50% 50 -| 75% 75 -| 100% Recebem %Total
Contribuição de sócios 80 (20,9%) 48 (12,5%) 48 (12,5%) 34 (8,9%) 173 (45,2%) 383 (52,8%)
Doações individuais 89 (40,8%) 41 (18,8%) 43 (19,7%) 10 (4,6%) 35 (16,1%) 218 (30,1%)
Venda de serviços/ produtos 89 (43,8%) 36 (17,7%) 30 (14,8%) 20 (9,9%) 28 (13,8%) 203 (28,0%)
Financ. Internacionais 14 (12,3%) 7 (6,1%) 21 (18,4%) 19 (16,7%) 53 (46,5%) 114 (15,7%)
Financ. Gov. nacionais 40 (35,7%) 22 (19,6%) 31 (27,7%) 7 (6,3%) 12 (10,7%) 112 (15,4%)
Financ. de empresas 37 (34,6%) 18 (16,8%) 16 (15,0%) 19 (17,8%) 17 (15,9%) 107 (14,8%)
Outras fontes 16 (26,7%) 9 (15,0%) 6 (10,0%) 4 (6,7%) 25 (41,7%) 60 (8,3%)
Financ. por ONGs nacionais 22 (39,3%) 8 (14,3%) 11 (19,6%) 4 (7,1%) 11 (19,6%) 56 (7,7%)
Os dados da tabela permitem estimar que o conjunto das organizações ambientalistas não-governamentais brasileiras movimenta anualmente cerca de R$ 84 milhões de reais (esta projeção teve por base os valores de 1994). Para se ter uma idéia da importância relativa desse volume de recursos basta dizer que a recém institucionalizada Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro tem o seu orçamento anual para 1997 fixado em R$ 12 milhões. Diferentemente do que ocorre em outros países, onde o setor produtivo arca cada vez mais com os custos da recuperação ambiental, poucas organizações brasileiras recebem recursos de empresas privadas (13,6%). Também o setor governamental contribui pouco em termos de apoio financeiro direto às organizações não-governamentais. Somente 11,4% declararam receber algum tipo de financiamento governamental, demonstrando que o acesso aos fundos públicos para o meio ambiente, criados a partir do final dos anos 80 (FNMA, PDA, PNMA/PED, FUNBIO), ainda é restrito.
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