Em que Áreas as Instituições Identificam Necessidade de Fortalecimento?
Perguntadas sobre a necessidade de treinamento e capacitação, 89% das instituições declararam a necessidade de pelo menos um tipo de treinamento em uma das áreas sugeridas no questionário. As organizações priorizaram as áreas de captação de recursos (67,0%), legislação ambiental (66,3%), elaboração de projetos (64,2%) e comunicação e marketing (61,5%), nesta ordem. Em quinto lugar identificaram a necessidade de se aperfeiçoarem na área de educação ambiental, principalmente quanto ao desenvolvimento de novas metodologias (53,9%). Chama atenção o alto índice, sobretudo entre as não-governamentais (51,9%), das que declararam desejar treinamento em estratégias de comercialização e mercado. A nossa hipótese é que esta carência está relacionada ao desejo de auto-sustentação das entidades, exigência cada vez mais posta pelos financiadores às ONGs. O item menos solicitado, em termos de capacitação, foi informática (só 36,2%). Este quadro revela que as necessidades das organizações estão mais ligadas ao desenvolvimento e fortalecimento institucionais.
Tabela 11: Necessidade de treinamento
Governamentais
Não-Gov.
% Total
Total
Captação de recursos
60,0%
69,5%
67,0%
660
Legislação ambiental
65,4%
66,6%
66,3%
653
Elaboração de projetos
60,0%
65,7%
64,2%
632
Comunicação e marketing
64,2%
60,6%
61,5%
606
Metodologias de educação ambiental
61,2%
51,3%
53,9%
531
Comercialização e mercado
50,8%
51,9%
51,6%
508
Estratégias de ação política
45,4%
53,1%
51,1%
503
Planejamento estratégico
46,2%
49,1%
48,3%
476
Gerenciamento administrativo-financeiro
47,7%
48,4%
48,2%
475
Informática
29,2%
38,8%
36,2%
357
Total
260
725
985
Sócios, Funcionários, Voluntários.
Analisando a tabela 6, verificamos que 52,8% das instituições não-governamentais recebem doações de seus associados. Do total daqueles que recebem recursos dos associados, temos duas faixas significativas: 173 das 383 indicam que esse tipo de contribuição é responsável por 75% a 100% de seu orçamento anual (referente a 1994); outras 80 afirmam que esses recursos representam de 0% a 10 % de sua receita total.
A média de associados contribuintes de cada instituição não é muito expressiva, com poucas exceções, como a Fundação SOS Mata Atlântica (10.000), a Greenpeace (5.000), e a AMDA - Associação Mineira de Meio Ambiente. Os dados mostram que ainda estamos longe de ter instituições não-governamentais profissionais, mantidas majoritariamente por seus quadros de associados, a exemplo do que acontece nos EUA e na Europa.
A tabela 12, abaixo, comprova que o número de instituições não-governamentais que mantiveram funcionários remunerados permanentes em qualquer uma das atividades perguntadas (técnico-científicas, administrativas, educacionais, direção e assessoria/consultoria) é de 28%, enquanto que o recrutamento de funcionários temporários envolve apenas 20% das instituições. Esses dados sugerem ainda que, ao contrário das governamentais, as não-governamentais dependem em ampla escala dos sócios e voluntários para execução de seus projetos e que muitos dirigentes/militantes ocupam múltiplas funções na organização.
Tabela 12: Associados, voluntários e funcionários
em instituições não-governamentais