Observa-se que a 66% das instituições não-governamentais participam de pelo menos uma rede ou coletivo, contra apenas 40% de participação das instituições governamentais. Esse dado sugere que há razoável nível de articulação das entidades em torno de causas e lutas comuns e que este setor se diferencia das características estruturais apresentadas por outros segmentos do movimento social brasileiro, onde, de um modo geral, são ainda escassos os exemplos de organizações plenamente institucionalizadas de representação de interesses em escala nacional. Entretanto, isoladamente, organismos ambientalistas de representação coletiva, tais como a Associação Brasileira das Entidades de Meio Ambiente/ABEMA (setor governamental), a Associação Nacional de Municípios e Meio-Ambiente/ANAMMA (setor governamental), as Assembléias Permanentes das Entidades de Meio Ambiente/APEDEMAs (coletivos estaduais, setor não-governamental) e o Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais, contam com baixo índice de participação, demonstrando que essas instituições ainda lutam pela ampliação de sua representatividade.
Considerações Finais
A leitura dos dados aqui apresentados não deixa dúvida que o setor das instituições ambientalistas é atuante, articulado internamente e com outros setores, se dedicando a um leque amplo e complexo de atividades e projetos. Oferecem, ainda, um quadro bastante representativo do setor ambientalista não-governamental em atividade no Brasil. Já o setor governamental, com menos peso neste cadastro, requer uma pesquisa mais orientada para a sua especificidade.
No que tange às não-governamentais, fica marcado o fato de que o crescimento do número de entidades e a diversificação das atividades por elas desenvolvidas desenha claras demandas por políticas públicas e privadas de fortalecimento e maior nível de institucionalização do setor. O número pequeno e até mesmo a ausência de entidades em alguns estados brasileiros, onde sabidamente são graves os problemas ambientais, preocupa. Sugere, ainda, a necessidade de as entidades mais estruturadas, os coletivos estaduais/nacionais e os financiadores pensarem uma urgente estratégia para aumentar sua densidade, sobretudo nos estados e regiões menos desenvolvidos.
Os recursos operados pelas organizações não-governamentais, tomando outros países como referência, são ainda relativamente modestos e o setor privado está longe de contribuir de modo expressivo para a recuperação e conservação ambientais.
Finalmente, chama a atenção o fato de que as entidades brasileiras, embora devam ser separadas em dois setores, segundo a sua natureza e função, em governamentais e não-governamentais, se preocupam com temas e desenvolvem projetos/atividades muito semelhantes, realizando no seu conjunto uma malha de ações complementares e reforçadoras da consciência ambiental no País.